
FLORESTA É O NOME DO MUNDO – Carolina Delgado (Puxadinho)
Charles, Iracema e seus 3 filhos têm na Ygara seu território de confluir. Estar na beira do rio e dentro da floresta, permite respiros de suspensão do tempo-espaço da máquina e do sistema. Não sem serem atingidos pela falha nas condições de fornecimento de serviços básicos, vale ressaltar. Mas no que tange ao tempo da imaginação, seja no fazer do turismo de base comunitária, no artesanato, no manejo do açaí e do cacau, na encantaria ou em qual conversa com o meio for, cada experiência é uma chance de levantar um pouco mais o céu sob nossas cabeças. Esta série é parte da etnografia visual realizada em novembro de 2021, em visita à Ygara Artesanal, no furo do Piriquitaquara, Ilha Do Combu, Belém. As fotos analógicas foram tiradas na câmera Canon EOS Rebel X, usando filme rebobinado Super Filme | Kodak Double X 250 135-24, revelado e escaneado no laboratório Digitall Photo, Rio de Janeiro. Queria contar da poética do cotidiano de uma família ribeirinha que faz do seu modo de vida confluência que potencializa os corpos-território humanos e não humanos à beira d’água, vivenciando uma comunidade criadora de novos mundos, amostra tangível de um futuro que já existe.
RESUMO DA PESQUISA:
“Floresta é o nome do mundo” é um dos livros de Ursula K. Le Guin, escritora que se tornou conhecida por tratar de criação, questões políticas, alteridade e desafios climáticos. A ideia de trazer o título para essa etnografia visual da família Ygara Artesanal é sublinhar um modo de existir em profunda conexão com seres não humanos – e muitas vezes “não-vísiveis”, típico das vivências ribeirinhas das amazônias. Uma poética do fazer que não é separada do ser/estar. Ser água, ser floresta, ser gente – tudo movimento. Desenhando os tempos e espaços, outros e possíveis, rumo a futuros plurais.
MINIBIO DO PESQUISADORA:
Carolina Delgado é antropóloga, pesquisadora, mãe, escritora e fundadora do Puxadinho. Mestre em antropologia social pela UFRJ, atua há mais de 25 anos com impacto social e cultural, movimentos juvenis, pesquisa comportamental, visualidades e consultoria. Tem na própria ancestralidade, na antropologia visual, na escuta ativa, na antropologia reversa e nos registros de memórias suas metodologias de criação na investigação profunda das complexidades da formação dos povos brasileiros. Há oito anos, criou o Puxadinho, um laboratório em rede de experimentações antropológicas rumo a futuros mais plurais, que lidera pesquisas,consultorias e orientação para iniciativas sociais e artísticas, coletivos e empresas e promove experiências educacionais.