ENTRANHANDO O MAQUINÁRIO: ACESSANDO MEMÓRIAS ATRAVÉS DA COSTURA

Sobral/CE/Brasil – 2024

ENTRANHANDO O MAQUINÁRIO: ACESSANDO MEMÓRIAS ATRAVÉS DA COSTURA – Eve Costa (UVA)

Como sua vida se entrelaçou com a costura? Esse é o questionamento feito para três interlocutoras, mulheres de vivências distintas mas que se entrelaçam nos fios da overloque, máquina que dá acabamento fortificador interno nas roupas. Na imagem, fotografada, revelada e escaneada, ela é diferente em três momentos na sua representação como imagem, tal qual a vida dessas mulheres e sua relação com suas próprias biografias, seus anseios, memórias e questões com a costura. Esta lâmina visual que é compartilhada é composta de um tecido no varal, uma projeção e uma mulher, chamada Marlene Vitalino, em frente a uma projeção de sua própria foto no aniversário de sua filha, Elisângela, as duas, respectivamente, avó e mãe do autor da obra. Marlene é construída através do seu passado, e as memórias se projetam como uma linha que vai costurando os momentos difíceis que teve para criar as filhas sem o apoio do marido. A costura ali apareceu como um alicerce de sobrevivência. Dom ou necessidade? É questionado sobre a técnica que foi adquirida pela interlocutora de maneira autodidata com 5 anos, mas essa talvez não seja parte da resposta que queremos encontrar, o passado projeto no presente, alinhava as novas formas de sobrevivência, que não se resumem a situações desgastantes ou de perigo, e sim de perseverança e continuidade. A vida da interlocutora está entrelaçada, alinhavada e costurada com suas memórias, a costura serve de ilustração para sua biografia.

RESUMO DA PESQUISA:

Imagens de imagens, fotografadas, reveladas, scaneadas. Imagens de imagens, tomando uma força narrativa a cada camada em que é explorada. Imagens que se sobrepõem sobre elas mesmas, sobre as memórias das interlocutoras, sobre os retalhos de tecido que remontam histórias. A intenção é retirar a camada pictórica do maquinário, e acessar as memórias que estão entranhadas nele. As fotografias seguem um rumo ficcional, de montagem, às vezes até mesmo nostálgico. A narrativa é dividida em três partes, onde seguimos os objetos de costura, as memórias, as camadas de tecido e por último, o findar do ciclo, a costura. APOIO: LABOME LABORATÓRIO DAS MEMÓRIAS E DAS PRÁTICAS COTIDIANAS)

MINIBIO DO PESQUISADOR:

Amador nas artes, nas imagens e nas palavras, sou Eve Costa e construo narrativas visuais através das memórias que ainda não perdi. Estudante de ciências sociais, bacharelado, me inquieta o entrelaçamento do ofício com as lembranças biográficas, bolsista do LABOME (Laboratório das memórias e das práticas cotidianas) atuo na fotografia e direção de curtas metragens. Realizador de uma exposição solo, Alinhavo, fruto da primeira pesquisa fotográfica etno-domiciliar em 2023 e também do curta-metragem Overloque, que apresenta parte da pesquisa feita na universidade em 2024. Atualmente desempenho uma pesquisa que investiga biografia, antropologia da técnica e costura no entrelaço dos interlocutores.

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