
ETNOGRAFIA URBANA E DAS EMOÇÕES NUMA CIDADE CEMITERIAL: ESPAÇOS DA MORTE NA VIDA VIVIDA E SUAS SOCIABILIDADES NO CEMITÉRIO SANTA IZABEL EM BELÉM-PA
Elisa Gonçalves Rodrigues (UFPA)
Pedro, assim como tantos outros profissionais da lembrança, desenha e pinta a memória anualmente com as próprias mãos. Finados é o melhor dia para este trabalho, o “acendimento das letras”, que passa a ser demandado em todo o Cemitério Santa Izabel localizado em Belém do Pará. A memória, que pode ser colorida a depender de quanto se paga, na grande maioria dos túmulos é preta. Ela é circunscrita e desliza de diferentes formas, sob variados aplicadores e tipografias. É reforçada para resistir ao sol, ao tempo chuvoso e à depredação, e como tática familiar, à ausência frequente de manutenção. E Pedro ensina: primeiro se raspa a tinta antiga para sentir o relevo, depois se lava o jazigo para entender o preço, e por fim Pedro pinta atento. Pinta a memória, os mortos, a dor, o sensível, as lágrimas e a lembrança, e ritualiza como todos nós, para além da profissão.
RESUMO DA PESQUISA:
A morte permeia diversos campos da experiência humana em termos físicos e imaginários, e, portanto, individuais, coletivos e sociais, circundando sujeitos e relações na cidade cemiterial. Sendo assim, esta pesquisa intui identificar como as emoções e vivências dos trabalhadores e transeuntes desta necrópole dão corpo, impactam e influenciam o cotidiano da/na morte no contexto cemiterial urbano. Considero, etnograficamente, suas sensorialidades (evocadas pelo sensível, o imaginário e os ritos) e suas reverberações do/no Cemitério Santa Izabel em Belém, possibilitando reflexões dos que manejam a morte e a compreendem como um lugar em sua vida, tensionando ordinariamente suas fronteiras simbólicas.
MINIBIO DO PESQUISADORA:
Elisa Gonçalves Rodrigues é doutoranda e Mestra em Antropologia no Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) da Universidade Federal do Pará (UFPA). Graduada em Ciências Sociais (UFPA). Pesquisadora vinculada à Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais (ABEC) e à Associação Brasileira de Antropologia (ABA). Integra o Grupo de Pesquisa Antropologia das Paisagens: memórias e imaginários na Amazônia (NAVERRÂNCIAS). Coordena o Grupo de Estudos em Antropologia da Morte (GEAM). Possui experiência em Antropologia e Estudos Cemiteriais, especialmente nos campos relacionados à Antropologia da Morte, Antropologia das Emoções, Antropologia Urbana, Imaginário, Memória, Narrativas, Morte, Luto, Ritos Funerários e Santos Populares ou Milagreiros.