POR ENTRE FOTOS E DEUSES: UMA ETNOGRAFIA VISUAL EM TERRAS PAGÃS

José de Freitas / Piauí / Brasil – 2024

POR ENTRE FOTOS E DEUSES: UMA ETNOGRAFIA VISUAL EM TERRAS PAGÃS
Sâmara Vanessa Nascimento Costa (UFPB)

Diversas entidades sagradas cultuadas pelos povos pagãos antigos do Piauí foram marginalizadas, demonizadas e reduzidas à categoria de lendas locais. Como exemplo, temos em Teresina, capital do estado, a representação do Cabeça-de-Cuia, que compõe o Parque Ambiental Encontro dos Rios, ponto turístico localizado na zona norte da cidade. Esta representação do Cabeça-de-Cuia faz referência a uma lenda popular sobre um antigo pescador da região chamado Crispim – um jovem pescador que morava nas margens do rio Parnaíba, um dia revoltado por falta de comida, espanca sua mãe, provocando sua morte. Contudo, antes de morrer sua mãe lança uma maldição, transformando-o em um monstro de cabeça enorme no formato de uma cuia e o condena a vagar dia e noite pelos rios Poti e Parnaíba, podendo se libertar da maldição, apenas após devorar sete meninas virgens, de nome Maria. No entanto, o Cabeça-de-Cuia, na perspectiva do Piaganismo, é um guardião dos rios, uma divindade sagrada e cultuada pelos ancestrais desta terra, na qual foram encontrados registros rupestres. Na corrente da Terra, ele pertence à Linha Piaga; apesar de ser um encantado, ele está ligado ao culto dos antepassados, não tendo relação com o pescador Crispim, o qual, o deixou famoso. No Piaganismo, o mito do Cabeça-de-Cuia surgiu a partir de um indígena, que em uma de suas pescarias se encantou e sofreu uma transmutação, criando barbatanas, guelras, e uma cabeça que lhe permite boiar nas águas. Ele é celebrado pelos Piagas, com cânticos, rituais e oferendas. As imagens aqui, dão origem a meios materiais que tornam tangíveis os processos de rituais e conexões com o mundo das divindades – compondo o repertório de uma ancestralidade local.

RESUMO DA PESQUISA:

Espiritualidades, imagens e contra colonialidades; são três aspectos que flutuam pelo mundo visível e invisível – pelo reino de encante, dos espíritos, das deusas e deuses – aqui mergulhados em uma perspectiva neopagã. O neopaganismo, emerge como um movimento religioso contemporâneo, que acredita nos deuses antigos, e busca inspiração e reconstrução das antigas religiões pré-cristãs europeias e/ou das tradições indígenas do país e origem dos praticantes. Esta pesquisa se debruça em uma investigação sobre cultos neopagãos na região da mata de cocais, tendo a Vila Pagã -santuário politeísta localizado na zona rural do município de José de Freitas – PI, como locus da pesquisa. O grupo de neopagãos que ocupam e vivem a Vila Pagã, constroem o Paganismo Piaga ou Piaganismo, que é compreendido como um movimento cultural, identitário e religioso. O Piaganismo segue três princípios básicos comuns as tradições neopagãs: o politeísmo, a conexão com a natureza e o culto à ancestralidade. Este também é denominado como “o culto mágico da terra e dos espíritos do lugar”. (NOLÊTO, 2015, p. 13). A “terra” e o “lugar”, fazem referência à localização do meio que é sacralizado; a natureza é o lar de diversos animais da região e também a casa de diferentes “seres outros”; divindades, encantados e elementais.

MINIBIO DO PESQUISADORA:

Sâmara Vanessa Nascimento Costa é doutoranda em Antropologia pela Universidade Federal da Paraíba. Mestra em Antropologia pela Universidade Federal do Piauí Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Piauí. Compõe o grupo de Pesquisa AVAEDOC – Antropologia Visual, Artes, Etnografias e Documentários. É pesquiasdora do Corpostrans – Núcleo de Pesquisa Transdisciplinar sobre Corpo, Saúde e Emoções e do Núcleo de Pesquisa sobre Adolescentes e Jovens NUPEC Produz pesquisa no campo da Antropologia Visual, Etnomusicologia, religiosidades e contra colonialidades.

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