
O MARACATU FEMININO NAS TERRAS MACEIOENSES: UMA ETNOGRAFIA AUDIOVISUAL DO GRUPO YÁ DANDARA – Sarah Dias Marques (UFAL)
Maceió/ AL / Brasil – 2024
A imagem é uma fotografia das mãos de Dona Fátima que estão apoiadas sobre o Ganzá, instrumento cilíndrico de metal preenchido com areia, que soa como um chocalho, fazendo parte das sonoridades agudas do maracatu ao lado do xequerê, agogô e caixa. A saia godê roxa comprida com um bico branco na barra, por sua vez sob o ganzá, tem a cor do Maracatu Yá Dandara, tonalidade em referência a Orixá Nanã, yabá que rege o grupo. As mãos negras e maduras de Dona Fátima simbolizam as mãos que tocam com veemência, força e harmonia; no frame em repouso, aguardando o momento oportuno. O registro foi produzido em 06 de Junho de 2024 no Sesc Guaxuma, na cidade de Maceió, durante uma Oficina que o grupo ofertava para mulheres idosas. O Yá Dandara é reconhecido por suas oficinas, ofertadas durante todo o ano em diferentes localidades e para diferentes públicos, majoritariamente gratuitas e voltadas para mulheres, que por sua vez podem, se desejarem, participar do maracatu. A persona de Dona Fátima é parte da primeira formação do grupo, a qual formação também faço parte, mas toca muito antes que isso, sem precisar ensaiar ou decorar, entra no ritmo do maracatu, coco ou ijexá com facilidade e leveza, outrora tenha exercido cargo de Mãe de Santo, hoje apenas pratica seus dons como Rezadeira. Tendo Dona Fátima mãos que curam, com música ou ervas.
RESUMO DA PESQUISA: Em Maceió, Alagoas, o Maracatu tem uma história marcada por períodos de invisibilidade e ressurgimento, especialmente após a Quebra de Xangô em 1912, que resultou na perseguição das religiões afro-brasileiras. O maracatu em Maceió tem se reinventado, com destaque para o grupo feminino Maracatu Yá Dandara, fundado em 2022 por Dani Lins. Este grupo busca resgatar a tradição do maracatu, promovendo o acesso de mulheres heterogenias ao tambor. A pesquisa etnográfica proposta visa documentar e analisar a construção identitária coletiva do grupo, utilizando registros audiovisuais para compreender as dinâmicas culturais, sociais e afetivas envolvidas.
SOBRE A PESQUISADORA: Sarah Dias Marques é Graduada em Licenciatura em Ciências Sociais (ICS/UFAL), atualmente, Mestranda em Antropologia Social (PPGAS/UFAL) e membra do Laboratório Antropologia Visual em Alagoas – AVAL. Tem como áreas de interesse a Antropologia Social com ênfase em Antropologia Audiovisual, principalmente nos seguintes temas: etnografia audiovisual, autoetnografia, gênero e Cultura Popular. Atua como integrante batuqueira do Maracatu Yá Dandara, onde também produz sua pesquisa.