
BANCO DE IMAGENS E EFEITOS VISUAIS – Cornelia Eckert e Fabricio Barreto Fuchs (BIEV/UFRGS)
Esta ruína é a foto de uma antiga empresa no território chamado de 4 Distrito em Porto Alegre (RS, Brasil). Foi um dos bairros mais industrializados da cidade de Porto Alegre que entrou em decadência no final do século XX. De autoria de Fabrício Barreto Fuchs, foi captada no dia 2 de junho de 2017 durante um exercício de etnografia de rua junto a equipe de pesquisadores do Banco de Imagens e Efeitos Visuais/BIEV. Coordenado pelas antropólogas Ana Luiza Carvalho da Rocha e Cornelia Eckert, este projeto se caracteriza como um núcleo de pesquisa e documentação que pertence ao Laboratório de Antropologia Social do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social/UFRGS, que acolhe professores e pesquisadores que se interessam pela pesquisa sobre memória coletiva, itinerários urbanos, narrativas biográficas, trajetórias sociais, cotidiano e formas de sociabilidade no mundo urbano contemporâneo a partir dos usos dos recursos audiovisuais e as novas tecnológicas digitais e eletrônicas. A produção de pesquisa do BIEV pode ser encontrada no site https://www.ufrgs.br/biev/
Nas pesquisas desenvolvidas no interior do Banco de Imagens de Efeitos Visuais, a incorporação das novas tecnologias eletrônicas e digitais na produção de coleções etnográficas tem sido capaz de nos encaminhar para o aprofundamento de uma reflexão singular sobre o surgimento de novas modalidades de se operar a construção de conhecimento antropológico no interior de sua matriz disciplinar. Em particular, os estudos com etnografia da duração no interior da pesquisa com memória coletiva, narrativas biográficas e formas de sociabilidade no mundo urbano portoalegrense têm nos auxiliando a refletir sobre o estatuto que a representação etnográfica desempenha no contexto da cultura visual do mundo contemporâneo local. Escolhemos esta foto de uma ruína por ecoar nossas premissas de pesquisas sobre os tempos vividos e narrados pelos habitantes na cidade de Porto Alegre tanto quanto pelos/as pesquisadores/as do projeto BIEV que sistematicamente, desde 1997, produzem coleções etnográficas com imagens com base nos suportes de foto, vídeo, som e escrita. Nosso projeto visa a criação de experimentos etnográficos, com hipertextos multimídia, desde a perspectiva do que convencionamos chamar etnografia da duração, utilizando-se o método de convergência a partir dos estudos por G. Durand, para a geração de coleções etnográficas na forma de modelagem de constelações de imagens em torno das quais se configura o patrimônio etnológico no mundo contemporâneo. A cidade de Porto Alegre (mas bem poderia ser qualquer outra cidade) é, neste sentido, a sede de nossa pesquisa sobre tais experimentos envolvendo os conjuntos de estruturas fantásticas que nutrem a memória coletiva de sua comunidade urbana. Uma memória que se organiza em torno de vastas constelações de imagens, estruturadas por certos isomorfismos de símbolos convergentes.
RESUMO DA PESQUISA:
O Banco de Imagens e Efeitos Visuais (BIEV) na UFRGS estuda há 20 anos a memória coletiva, os itinerários urbanos e as formas de sociabilidade no mundo contemporâneo – principalmente nas cidades do Rio Grande do Sul. Trabalhando com os recursos digitais e com o nosso marco teórico da Etnografia da Duração, somos um grupo de antropólogos e contribuintes à Antropologia Visual e da Imagem que trabalha com coleções etnográficas multimídia de forma coletiva.
Criamos um banco digital para divulgação do nosso material de pesquisa coletado nestas duas décadas: queríamos criar um espaço de pesquisa digital para democratizar as informações coletadas com recursos públicos. Ao mesmo tempo, entendemos que criar um banco on-line também permite novas inferências acerca das nossas coleções através da estruturação deste banco de conhecimento que propomos. Assim sendo, tal convergência de imagens provenientes de fundos de origens diferentes (antigas e recentes, fabricadas ou não pelos antropólogos em suas pesquisas ao longo deste período) pode nos indicar a direção mais próxima para a interpretação da dialética temporal que orientam tais fenômenos, ainda que de forma indireta, algo que seria de todo impossível se enfocássemos isoladamente as imagens ali reunidas. Assim, para a produção e geração de coleções etnográficas sobre o patrimônio etnológico de uma comunidade urbana qualquer, quanto mais constelações de imagens apresentarem desde um mesmo ponto de convergência, tanto mais direções para construir conhecimento sobre uma determinada ordem de fenômeno.
Além do nosso banco disponível, nossas trajetórias enquanto grupo de pesquisa estão todas documentadas e podem ser acessadas aos que possuem interesse em conhecer mais sobre nossas produções. Possuímos tanto um histórico das linhas de pesquisa envolvidas quanto dos projetos concluídos, dos projetos em andamento, do histórico de outros sites que tivemos e dos pesquisadores que nos ajudaram a criar o que temos hoje. Ainda temos todas nossas produções – audiovisual, sonoras, interativas e textuais – disponíveis fora do acervo para acesso gratuito.
SOBRE A PESQUISADORES:
Cornelia Eckert tem graduação em Bacharelado em História (1981) e em Licenciatura em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1980), mestrado PPGAS IFCH UFRGS (1985), doutorado em Antropologia Social – Paris V – Sorbonne, Université Renne Descartes (1991). Realizou programa de pós-doutorado em Antropologia Sonora e Visual, Paris VII (2001); realizou programa de pós-doutorado no Institute for Latin American Studies na Freie Universität Berlin, Alemanha em 2013 e pós-doutorado na Georgia University, EUA, 2018 . Professora Titular aposentada e atualmente docente convidada do Programa de Pós-graduação em Antropologia Social na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Linhas de pesquisa antropologia visual e imagem, antropologia urbana, antropologia e meio ambiente. Coordenadora do BIEV portal http://www.biev.ufrgs.br e do Núcleo de Antropologia Visual (NAVISUAL). É pesquisadora do NUPECS (PPGAS UFRGS) do CEPED (UFRGS). Edita a Revista Eletrônica Iluminuras, a revista Fotocronografia e participa da Comissão Editorial da Revista Horizontes Antropológicos. Email chicaeckert@gmail.com Vice presidente da Associação Brasileira de Antropologia gestão 2021-2022
Fabricio Barreto Fuchs é Mestre em Antropologia pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGAnt) da Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), possui graduação em Filosofia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (2004). Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Fotografia, atuando principalmente no âmbito documental. Integra ao Núcleo de Antropologia Visual (NAVISUAL/PPGAS/UFRGS) e Banco de Imagens e Efeitos Visuais (BIEV/PPGAS/UFRGS) como pesquisador colaborador. Integra também o Laboratório de Ensino, Pesquisa e Produção em Antropologia da Imagem e do Som (LEPPAIS/PPGAnt/UFPEL). Atualmente é doutorando no PPG Políticas Públicas (UFRGS).