
MOVIMENTO DE ATINGIDOS POR BARRAGEM: IMAGEM, MEMÓRIA E RESISTÊNCIA – Rafaella Sualdini; Bernardo Tavares; Lara Amorim (UFPB)
A imagem foi produzida durante uma visita de campo realizada pelo projeto extensionista em 2023 no reassentamento “Águas de Acauã”, localizado no município de Itatuba-PB, no dia 04/10/2023, durante a primeira colheita de algodão agroecológico realizada pelo Movimento dos Atingidos por Barragem na Paraíba(MAB-PB), em celebração ao dia mundial do algodão. Neste evento para o qual fomos convidados pela liderança do MAB-PB, estiveram presentes representantes dos governos municipais, estaduais e federais, bem como professores e alunos da UFCG e o nosso projeto de extensão representando a UFPB. O momento capturado pela objetiva da câmera fotográfica, seu olho, ocorre durante o final do evento promovido pelo MAB-PB, quando somos convidados para colher algodão junto à eles, nesse instante, entre o gesto de agachar, estender a mão e colher o fruto que floresce entre o capulho, ocorre um outro gesto, aquele produzido pela câmera fotográfica, nesse instante, a partir desses múltiplos gestos, se produz a presente imagem apresentada. A fotografia captura o momento de colheita de algodão por Osvaldo Bernardo, coordenador do Movimento dos Atingidos por Barragem na Paraíba, e importante interlocutor e colaborador do projeto extensionista.
RESUMO DA PESQUISA:
Desde 2018 a Universidade Federal da Paraíba/ Campus IV/ Rio tinto-PB tem desenvolvido ações de pesquisa e extensão universitária junto aos povos atingidos pela barragem de Acauã, na Paraíba. Este projeto, na área de antropologia visual, dá continuidade ao trabalho de levantamento, qualificação e formação de um acervo fotoetnográfico e fílmico junto aos moradores dos reassentamentos e teve sua última edição aprovada no Edital PROBEX 2023/2004. Avivar memórias coletivas, recordar violências e perdas envolvidas na ação do Estado face aos ribeirinhos e contribuir para a justa reparação de direitos dos atingidos são algumas de nossas metas. Além de documentar a reação de comunidades que se sentem ameaçadas pela construção de novas barragens, como é o caso da Comunidade do Brejinho, localizada no município de Mamanguape/PB. As imagens do passado e as ameaças do presente se colocam, assim, no horizonte do direito à memória, à visibilidade e ao futuro. Ao serem expulsos de suas terras, as famílias do antigo Cajá não tiveram a oportunidade de denunciar as violências exercidas sobre comunidades rurais e ribeirinhas decorrentes da implantação da Barragem de Acauã na Paraíba. Entre essas violências estão a perda ao acesso à água potável, as suas casas e aos meios de produção tradicionais que as terras originais ofereciam. Considerando um vasto cervo fotográfico e uma produção audiovisual, formado a partir de várias edições consecutivas do projeto, inclusive uma Plataforma Digital que abriga coleções fotoetnográficas, pretendemos criar um espaço legitimo capaz de rememorar experiências de deslocamentos forçados de diversos moradores, assegurando o direito à memória e à visibilidade dos atingidos por barragens. A nova proposta aqui apresentada procura ampliar o acervo das memórias de atingidos que foi construído ao longo das pesquisas e ações de extensão já desenvolvidas, incluindo interatividade e participação de membros de outras comunidades de atingidos, como é o caso das comunidades de Pedro Velho e do Brejinho. Com esta ação de extensão, pretende-se ajudar a difundir as histórias dos atingidos na Paraíba e estabelecer redes de comunicação entre diferentes comunidades atingidas, utilizando a metodologia da antropologia visual de coletar e exibir imagens e depoimentos em áudio, vídeos e fotografias.
MINIBIO DOS PESQUISADORES:
Rafaella Sualdini – mestranda em Antropologia Social pela Universidade Federal da Paraíba, com a dissertação em andamento intitulada “O Acervo de Filmes em Super-8 do NUDOC/UFPB no Campo da Antropologia Visual” orientada pela Profª. Dra. Lara Santos de Amorim. A pesquisa se insere na linha “Imagens, Patrimônios, Artes e Performance”. Possuo formação técnica em Fotografia e uma trajetória profissional que abrange diversas áreas do audiovisual. Atuei como produtora, diretora, fotógrafa e roteirista, além de desempenhar funções de assistência em filmagem, fotografia e edição. Sou membro ativo do núcleo de pesquisa AVAEDOC – Antropologia Visual, Artes e Documentários, onde, durante a graduação em antropologia com habilitação de Antropologia Visual, desenvolvi pesquisas sobre catalogação e preservação de acervos fotográficos sob orientação do Profª. Dr. João Mendonça.
Bernardo Américo Batista Tavares – Mestrando em Antropologia na Programa de Pós-graduação em Antropologia na Universidade Federal da Paraíba. Bacharel em Antropologia com habilitação em Antropologia Visual pela Universidade Federal da Paraíba – Campus IV. É vinculado ao Grupo de Pesquisa AVAEDOC – Antropologia Visual, Artes, Etnografias e Documentários. Desde 2020, participa ativamente da gestão de coleções imagéticas-fotográficas de comunidades atingidas pela barragem Argemiro Dantas no Estado da Paraíba, tendo participado da elaboração de uma plataforma digital (site) que reúne as memórias visuais e orais das comunidades atingidas, bem como do Movimento de Atingidos por Barragem na Paraíba. Tem interesses nas seguintes temáticas: memória, fotografia, imaginário, gestão de acervos e coleções imagéticas, antropologia da arte, antropologia da experiência.
Lara Santos de Amorim – Possui graduação em Antropologia Social pela Universidade de Brasília, mestrado e doutorado em Antropologia pela Universidade de Brasília (2002), doutorado Sandwich em Antropologia – City University of New York (2001). Realizou pós-doutorado no PPGCInf/UnB (2018) sobre acervo fotográfico digital institucional, memória e modernismo. Realizou pesquisa etnográfica na área de antropologia urbana, com ênfase em expressões culturais musicais (hip hop) e festas populares e tradicionais (Folia do Divino Espírito Santo), atuando principalmente nos seguintes temas: teoria do ritual e ritos sociais, manifestações tradicionais e movimentos musicais alternativos, globalização e mudança cultural. Pesquisa também as áreas de políticas públicas e patrimônio cultural, antropologia e imagem, performance e manifestações artísticas; memória, fotografia e cinema e acervos imagéticos digitais. Integra o Grupo de Pesquisa Antropologia Visual, Arte, Etnografia e Documentário- AVAEDOC/PPGA/UFPB e GIPCSA/PPGA/UFPB. É professora adjunta da Universidade Federal da Paraíba- UFPB no curso de graduação em Antropologia/Litoral Norte e no Programa de Pós-Graduação em Antropologia PPGA/UFPB, atuando nas linhas de pesquisa “Imagem, Arte e Performance” e “Etnografias e Sociabilidades Urbanas”. É autora do livro MANIFESTAÇÕES POPULARES: Reinvenção da Tradição. Brasília: Instituto Terceiro Setor, 2012. Coleção Arte em Brasília: cinco décadas de cultura. É organizadora e uma das autoras do livro “Cinema e Memória – O super 8 na Paraíba nos anos 1970 e 1980”. João Pessoa: Ed. UFPB, 2013 e do livro “Antropologia em Novos Campos de Atuação: debates e tensões”. João Pessoa: Mídia Gráfica Ed. e ABA publicações, 2015.